Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia e do Qatar, bem como a Rainha Rania da Jordânia, acusaram na quarta-feira a comunidade internacional de aplicar um “duplo padrão” na sua reação ao conflito entre Israel e o Hamas em Gaza.

  • Hamas x Israel: Dez comandantes de grupos terroristas foram mortos durante a guerra; veja lista
  • Veja mapa e poderio militar de cada um: Líder do Hezbollah discute ‘eixo de resistência’ com chefes do Hamas e da Jihad Islâmica em meio à guerra contra Israel

— Reafirmamos a nossa total rejeição de responder à crise com dois pesos e duas medidas no que diz respeito a vidas humanas — disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, numa conferência de imprensa com o seu homólogo turco em Doha. — É inadmissível condenar o assassinato de civis num contexto e justificá-lo noutro.

O fato de alguns países americanos e do norte da Europa não condenarem ou impedirem a destruição e o desastre em Gaza “constitui um sério duplo padrão”, denunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan.

Na mesma linha, a Rainha Rania da Jordânia acusou os líderes ocidentais de terem uma “óbvia dupla moral” por não condenarem as mortes de civis palestinos na Faixa de Gaza em bombardeamentos israelenses.

— Quando aconteceu o 7 de Outubro, o mundo apoiou imediata e inequivocamente Israel e o seu direito de se defender e condenou o ataque que aconteceu. Mas o que temos visto nas últimas semanas [em Gaza], vemos um silêncio no mundo — destacou a soberana.

Israel lançou uma ofensiva contra Gaza em resposta a um ataque sem precedentes perpetrado por militantes do Hamas em 7 de outubro. Homens armados do movimento islâmico palestino invadiram Israel vindos de Gaza, matando mais de 1.400 pessoas e fazendo mais de 220 reféns, segundo as autoridades israelenses.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, afirma que 6.546 pessoas foram mortas em bombardeios israelenses até o momento, muitas delas crianças.

Os governos ocidentais, incluindo o Reino Unido, a França e os Estados Unidos, ofereceram o seu total apoio a Israel, afirmando o seu direito de se defender após a incursão mortal do Hamas.

O Catar e a Turquia, que são fortes apoiantes da causa palestiniana e têm canais de comunicação abertos com o Hamas, trabalham com parceiros regionais para neutralizar o conflito, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Catar.